O pais aonde a pobreza é espetáculo
Hoje assisti ao show 'Um dia de Princesa' em uma dessas emissoras de segunda categoria cujos programas tentam alavancar seus respectivos IBOPES com lágrimas e sexo, cada um em sua devida proporção. Misturar os dois também vale.
A moça de hoje era de Guarulhos, acho eu. Não me recordo o nome dela. Vamos chama-la arbitrariamente é claro de Claudineidi. Casa pequena, apenas um cômodo, que servia de cozinha, quarto e banheiro. A garota de 16 anos aparentemente escrevera a carta influenciada pela amiga, expressando sentimentos dignos dos notáveis globais.
Sua mãe de aproximadamente 30 anos aparentava ter vividos 20 carnavais a mais. Carnavais... (hahaha) 20 carnavais marcados em seu tom de pele, no seu olhar amarelado, amargo e sem foco. Olhar passivo, esperando um rumo.
Naquele dia de semana chuvoso e nublado, Claudineidi viveu as 24 horas de sua vida. Foi conhecer um tipo de vida diferente, quase estranho. Foi ganhar esperança. Diogo Mainardi diria em tom sarcastico '-porque dar a moça tanta esperança, isso sim é horripilante!'
Enfim... Claudineidi foi levada ao 'shópi' de limousine, fez compras em lojas de surfistas e patricinhas, onde o apresentador dizia sem cessar as vendedoras: '-Eu quero minha princesa bem bonita, viu?'.
Em seguida, nossa princessa teve seus belos cabelos alisados pelo shampoo patrocinador do programa, que mostrava uma bela sueca de cabelos lisos em sua embalagem...
Assim, todos os domingos vemos dezenas de Claudineidis ganharem belos cabelos lisos e viverem um dia inesquecivel, um dia cheio de fantasia e ilusões. Conhecerá de perto tudo que não tem e provavelmente jamais terá, a não ser que aproveite a máquina de fazer sorvetes que o patrocinador ofereceu... Contrariando minha ironia e o que muitos dizem, eu até acho positivo esse tipo de programa pois não julgo, apenas tento analisar, pois sou sedento nesse aspecto. E a televisão, todos sabem, é o reflexo da sociedade.
Nosso país possui uma desigualdade imensa, onde os ricos tem um poder maior até que em certos países africanos onde o poder dos ricos é tumultuadoe arriscado pois é gerado com o medo.
Em consequência de tamanha desigualdade , criou-se no Brasil um tipo de acordo doentio imposto pela elite. Essa última adotou a parte pobre do país como uma imagem, como um cachorrinho de estimação.
Assim, os pobres viram espetáculo como nesses shows de princesa.
Eu disse acordo, e como em todo acordo, há um lucro de ambas as partes. Logo, o que os pobres ganham nesse acordo? Paradoxalmente nada de concreto, eles ganham muita esperança. Esperança simbolizada por princessas, por Ronaldinhos... Por Lulas...
Resta a sociedade derrubar esse acordo máquiavélico que faz dos pobres números de IBOPE comprados a lágrimas de princessa e a gols de Ronaldinhos. Todos chorados de emoção pela elite, que acha bonito um favelado virar um milionário penta-campeão...
É preciso dar oportunidades reais e concretas as classes desfavorizadas, sem nada exigir em troca, pois a única coisa que têm a obedecer são seus sentimentos. E roubar um sentimento de alguém é vender seu coração.
Hoje assisti ao show 'Um dia de Princesa' em uma dessas emissoras de segunda categoria cujos programas tentam alavancar seus respectivos IBOPES com lágrimas e sexo, cada um em sua devida proporção. Misturar os dois também vale.
A moça de hoje era de Guarulhos, acho eu. Não me recordo o nome dela. Vamos chama-la arbitrariamente é claro de Claudineidi. Casa pequena, apenas um cômodo, que servia de cozinha, quarto e banheiro. A garota de 16 anos aparentemente escrevera a carta influenciada pela amiga, expressando sentimentos dignos dos notáveis globais.
Sua mãe de aproximadamente 30 anos aparentava ter vividos 20 carnavais a mais. Carnavais... (hahaha) 20 carnavais marcados em seu tom de pele, no seu olhar amarelado, amargo e sem foco. Olhar passivo, esperando um rumo.
Naquele dia de semana chuvoso e nublado, Claudineidi viveu as 24 horas de sua vida. Foi conhecer um tipo de vida diferente, quase estranho. Foi ganhar esperança. Diogo Mainardi diria em tom sarcastico '-porque dar a moça tanta esperança, isso sim é horripilante!'
Enfim... Claudineidi foi levada ao 'shópi' de limousine, fez compras em lojas de surfistas e patricinhas, onde o apresentador dizia sem cessar as vendedoras: '-Eu quero minha princesa bem bonita, viu?'.
Em seguida, nossa princessa teve seus belos cabelos alisados pelo shampoo patrocinador do programa, que mostrava uma bela sueca de cabelos lisos em sua embalagem...
Assim, todos os domingos vemos dezenas de Claudineidis ganharem belos cabelos lisos e viverem um dia inesquecivel, um dia cheio de fantasia e ilusões. Conhecerá de perto tudo que não tem e provavelmente jamais terá, a não ser que aproveite a máquina de fazer sorvetes que o patrocinador ofereceu... Contrariando minha ironia e o que muitos dizem, eu até acho positivo esse tipo de programa pois não julgo, apenas tento analisar, pois sou sedento nesse aspecto. E a televisão, todos sabem, é o reflexo da sociedade.
Nosso país possui uma desigualdade imensa, onde os ricos tem um poder maior até que em certos países africanos onde o poder dos ricos é tumultuadoe arriscado pois é gerado com o medo.
Em consequência de tamanha desigualdade , criou-se no Brasil um tipo de acordo doentio imposto pela elite. Essa última adotou a parte pobre do país como uma imagem, como um cachorrinho de estimação.
Assim, os pobres viram espetáculo como nesses shows de princesa.
Eu disse acordo, e como em todo acordo, há um lucro de ambas as partes. Logo, o que os pobres ganham nesse acordo? Paradoxalmente nada de concreto, eles ganham muita esperança. Esperança simbolizada por princessas, por Ronaldinhos... Por Lulas...
Resta a sociedade derrubar esse acordo máquiavélico que faz dos pobres números de IBOPE comprados a lágrimas de princessa e a gols de Ronaldinhos. Todos chorados de emoção pela elite, que acha bonito um favelado virar um milionário penta-campeão...
É preciso dar oportunidades reais e concretas as classes desfavorizadas, sem nada exigir em troca, pois a única coisa que têm a obedecer são seus sentimentos. E roubar um sentimento de alguém é vender seu coração.
